terça-feira, 25 de agosto de 2009


“A vida é uma grande experiência, eu sou o tubo de ensaio”.

DEMÓSTENES

sábado, 22 de agosto de 2009

ONTIDIONTEM


O amargo sempre aparece sem precedentes,
Recorre a banheiros e esquinas escuras,
Como sentinela pós-guerra, espreita o inimigo,
Fomos seguidos, também somos seguidores,
Em um paradoxo eterno, 15 eternos minutos,
Tudo tem ar de perigo, até meu pé é possível,
As luzes do relógio são de outro mundo,
Minha mão dorme sem meu consentimento,
Meus pés são irracionais, dançam e voam absurdos,
Meu cabelo, molhado, seco, sujo e suado,
Sou atraente, mas, me finjo de mudo,
Lugar igual a bar é só agir surdo,
Ser inodoro é fácil, difícil é ser cego,
Além do mais, faço tudo o quero e sem peso,
Apenas me esforço pelo meu ego,
Possível vagabundo, mendigo moribundo,
Sem amor, sem pastor, sem d.C. sem tudo,
Pratico vida, meu hobby é sofrer,
De tanto cair sou calejado, os dedos antes de tudo,
Impaciente olhando o futuro, lá do alto da torre,
Com rimas de Gessinger, e Maltz no casulo,
Trancafiado com posse das chaves,
Com medo do erro, errando sem medo,
Assim sou, assim vou, hoje estou,
Estou afim de, como se fosse ontem, de ontem, de ontem, de ontem, de ontem... e assim por diontem...



quinta-feira, 13 de agosto de 2009

DAIME




DAIME FORÇA
DAIME CORAGEM
DAIME LUZ
DAIME ESPERANÇA
DAIME PAPEL
DAIME AMOR
DAIME APOIO
DAIME DUVIDAS
DAIME DE CANTAR
DAIME RESPOSTAS
DAIME LIMPEZA
DAIME PAZ
DE FLUTUAR
DAIME DE BEBER,
DE REGURGITAR
DEPOIS VOLTAR, COMO SE ALGUÉM TIVESSE ME DADO ALGO,
ALGO QUE NÃO PARECE COM NADA, COMO SE NÃO FOSSE DADO.

domingo, 19 de julho de 2009

TIGRE DE BENGALA

E nós jovens ainda vivemos a margem,
Somos os maiores consumidores e tão assim desvalorizados,
Ou jogamos seu jogo ou não dançamos a dança.
Ser tratado como a pura diferença, identidades subjugadas,
Isso não é fácil, quero erguer minha bandeira,
Gritar que estou aqui, vivo e pensando.
Em selva de pedra sou animal de carne,
Tigre de bengala no meio de hienas,
Sedentas pelas sobras do meu belo jantar,
Em volta da fogueira sonora e em pleno ritual,
Sagrado e sangrado porque não,
Encharcado de suor correndo atrás da presa,
Encurralando outras, meus olhos de fogo chamam a atenção,
E quem os olhar agora sabe o que quero, onde e como quero...




DEMÓSTENES 23/04/2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

ÁGUA ARDENTE



Não há mais quem faça,
esta boca seca e morta
arder feito cachaça.

Mais nem o coração,
velho, santo e empoeirado
faz bater numa arruaça

A batucada lá do velho samba,
que deixa o morro cheio
e a mulata de perna bamba

To mais é querendo perfurar teu hímen,
sem culpa, sem roupa,
sem camisa de banda ou de Vênus

Na velhice da desgraça,
seco feito poço,
rouco feito porco

E nesse balanço todo vamos torto,
Reparando nos bustos da mulata
que ta pra cima e nunca cai

Pois o que cai é só o velho,
é o samba do velho,
já de perna bamba


A preta gira, gira a barra da saia,
que combina com o tom do tomara que caia,
atirada no meio da gandaia

E é pra nego fica de queixo caído,
de olho no umbigo da mulata que é pra dentro,
ardendo feito forno em brasa,

A brasa, a brasa, queima,
queima o morro e sobe no estopo,
estopim do incêndio sem fim..

Que só se apaga com a brisa do sopro, do samba do velho,
Que já não deixa mais a mulata de perna bamba,
Porque não bate mais no pandeiro do partideiro muito a pampa.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

ATMANAVICIUS


Em vestes de menina-moça, engana qualquer lobo mal
Vestida em saia rodada, não roda na mão ninguém
Com um belo rosto de porcelana, esconde ainda mais do que insinua, insana
Pois insinua isto, aquilo e um pouco mais de tudo, faz te querer nua
Mesmo o mais sedutor, mirado em teu olhar torna-se um tipo normal

Com cara fechada, assim continua, só abre a quem lhe convém
Teu semblante é como uma película de filme estrangeiro
Só se vê de madrugada, uma vez na vida e ainda assim não se assiste inteira
É como um livro de poucas paginas, sem capa ou contra capa
Dispensa explicações, faz apenas observações, pequenas, quase nada, nada
Mas de paginas intensas e suculentas, história que não perde a graça

Em um jogo sedutor o beijo é apenas um detalhe inicial
Assim quando as portas se abrem descobre-se um local hibrido
Meio céu, meio inferno, meio formal, meio animal, tudo é permitido
Na transpiração da sauna ou na refrescância de um banho, tudo é real
Dejavú do dejavú e dejavú nunca visto, impressão de já conhecê-la

É arte, é abstrata, é sulreal
É viagem que emana do mantra
É um vicio de carnaval

DEMÓSTENES
23/04/2009

terça-feira, 7 de julho de 2009

SIM-SALABIM


Ando cabisbaixo feito um cachorro sem dono,
Menino de rua, um rei sem trono,
Ainda tão indignado com o desfecho da trama,
Desavisado sobre a seca, de luto e de cama,

Morrem as esperanças para dar margem as matanças, então nasce a coragem para novas andanças,
O começo do fim não soa tão bem quanto o fim do começo,
Palavras e promessas não dão fim às feridas na garganta,
O sono da noite não é compensado pelo sono do dia, como velhos ditados incertos já dizia minha tia,

Ando desprevenido feito um desempregado,
Perua sem grana, cachaceiro mal amado,
Ainda tão desolado com a melodia do samba,
Bezerro sem teta, gaúcho sem pampa,

Um passo para abismo do cotidiano foi a solução , salto para o purgatório visitar Jason e Zé do caixão,
Se saio uma vez continuo a sair, se saindo continuo meu destino é cair,
Noites avessas só pra suprir o meu ego, não trás recompensa, nem grana e sucesso,
Vingança de morte não satisfaz a vontade de vida, como pensaria Salomão quando seu ouro reluzia,

Abre te Sézamo, Sim- Salabim
Traga uma vida nova para mim....
DEMÓSTENES 06 julho de 2009